quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Momentos de reflexão ou de exaustão



1.
Sentir é coisa de tolo
Pois só o tolo se queima
Não se sabe bem porquê
Sem tentar resistir

Tolo por amar, odiar e perdoar
Tolo por sofrer, sorrir e não mentir
Porque quem sente não mente
Quem não mente, perdoa e não perdoa
2.
Cara e coroa, pensar e sentir
É a corrida da vida
Cuja meta é a morte
da qual não escaparás nem com sorte
3.
Tenta matar, talvez morras
Mas morrer, morres sempre
Então tenta sentir, pode ser que morras antes de morrer
4.
Arde cruel sentimento
Que me ferves no peito
Que me fazes fulminar
Que me fazes ser mortal
5.
Parva que sentes,
Parva que sofres,
Para que mentes
Se sabes que o fim é a morte

Deves saber,
Deves pensar
Mas apenas corres
Para o abismo do teu ser

Continua usando o peito
Em vez de usares a cabeça
Que te dava poder
Em vez de repulsa de espécie de gente em que te tornas-te

Fala, não escrevas
Para que queres o mundo
Se dele não abusas
Nojo de pedaço de carne humana

Alma?!?!Para que te quero!?
Apenas farrapo repugnante me torna-te

Coração?!?!O que é isso?
Talismã de escárnio sem medo
Que de potrefacto corpo te apoderas-te

É justo?!?! Não!
É apenas a vida
Que acabará em morte
Mesmo que tenhas sorte

Poemas da Minha Pequenez


Estes são, caros colegas, dois poemas que encontrei nas tralhas de antigos anos escolares, que escrevi, quando era mais pequena que a própria pequenez. Espero que gostem.

O PARDAL

No céu azul
Um pássaro voava
E ao mesmo tempo chilreava
Uma doce canção de embalar

Noite ou dia
Sempre se via
A alma
Daquele pardaleco

O pardal cantava
O ardor da solidão
E a tristeza
Do seu coração

No cimo da árvore
No seu ninho
Cantava o pardal
Muito pequenino

Fora em tempos
Dono da primavera
Mas ela havia acabado há muito
E não havia deixado uma única gerbera

Em breve estaria de volta
Com outros pássaros,
E seus cantares,
Flores e pomares

Só então
O pardaleco será feliz
E afastará a solidão
Do seu coração aprendiz


A VIDA

A vida é para viver,
Viver é desfrutar o que há nela
Mas não te esqueças que a vida
É o que nós fazemos dela

A vida é um longo percurso
que temos de percorrer.
Só que há muitos obstáculos
que nós temos de vencer.

Ás vezes ter de vivê-las dói,
Ai, que dor sentimos
Mas quando a ferida cura
Já para outra partimos

Mas digam o que disserem,
Ela é um grande amor meu
E por isso posso dizer:
"Estar viva, foi o melhor que me aconteceu!"

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Doce Dor


Doce é o sentimento que nutro por ti. Sempre que te vejo sinto o abraço,o beijo, o carinho que sempre custa dares-me. Sinto no mais fundo do meu ser o cobertor que me protegia, alimentava e me envolvia, quente e aconchegante dentro de ti. Arrasto comigo toda uma gratidão e mais que amor que me demove. Queria poder deitar fora todo este peso de te agradecer, mas esse peso é a única coisa que me liga á vida. Feres-me retirando cada pedacinho da vida que me deste, lenta e dolorosamente e o facto de isso também te matar deprime todo o meu ser. Odeio quando não te sinto por perto e sinto o mesmo medo que não me lembro de sentir, mas que sei que senti, quando me arrancaram cruelmente do teu paraíso aconchegante e me largaram neste mundo tempestuoso. Sinto que te perco, que te vejo morrer, cada vez que me afastas mais como se me arrancasses de dentro de ti outra e outra vez. Quero parar este sentimento de tortura, mas não quero que ele acabe porque com ele tu irás e quando tu fores já nada viverá. Sinto nas minhas veias o sangue que te pertence e que sempre te pertencerá, por isso se te perder ele parará de correr e contigo eu irei. Por isso toda esta dor que percorre as minhas entranhas como se me afastasses de ti, reconforta-me, pois enquanto eu sofrer por ti estarás mais perto de mim. Quando tudo for apenas boas recordações e culpa de não ter dito tudo o que desejava, aí será tarde de mais, e tu terás mais longe de mim que nunca. Pressinto que jamais este sentimento mudara, pressinto que jamais tudo será perfeito. A perfeição não foi concebida para mim, pois o único e derradeiro paraíso por que passei, foi-me varrido da mente como se de um castigo se tratasse. É cruel, é sim, pois corrói como se a dor se espalha-se pelo corpo tal como um veneno que lentamente substitui o sangue que nos faz viver. Mas é uma dor necessária, pois enquanto ela existir também a tua doce presença existirá, e quanta mais dor eu sentir por me afastares de ti, mais certeza eu tenho de que existes e de que estás ao pé de mim. Por isso não me importo de que haja dor, porque mais vale dor que boas recordações e culpa de não ter dito tudo o que desejava. Esta dor mata-me, mas faz-me viver por sem uma doce dor. Dor que sinto por me afastares de ti, mas doce por me dizer que existes e que estás aqui ao pé de mim.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Longe

Porque me sinto longe
longe de mim
longe de ti
longe do que sou
longe do que era

Porque me sinto presa
em garras que não vejo
que não sei de onde vêem

Apenas me sinto vazia
apenas me sinto abandonada
apenas me sinto só

Mas custa tanto enfrentar um só sentimento...