quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A vida...que nem um suspiro



Ontem foi para mim um dia de emoções fortes. Tive de ir ao hospital, e o que para mim iria ser quase que uma consulta rotineira sem a mínima importância acabou por se demonstrar uma experiência marcante, que me deu alguma noção do mundo desconhecido.
Para começar estive quase uma meia hora na fila de espera onde conheci:

-O senhor A que já tinha uma certa idade, muito mal cuidado, com bengala, ferido na mão e que tinha dificuldade em estar de pé. É uma pessoa que se via que era só, pois apesar de estar sozinho tentava meter conversa com toda a gente o que lhe dava a sua graça.

-A senhora A que era novinha e que foi muito simpática e nos deu muitas indicações, que apesar de tudo, tinha um ar triste e abatido e que foi para a mesma unidade que eu para os curativos, por isso também já devia ter passado por umas tantas provas de fogo.

-A senhora B que tinha os seus 60 e tal anos, veio do médico e não queria, tal como as outras pessoas, estar na fila de espera. Fez lá uma valente algazarra e no fim de contas, acabou por conseguir meter-se a frente de umas tantas pessoas, o que a meu ver foi uma valente falta de respeito.

Bem...lá fui eu atendida na secretaria e fomos (eu e a minha mãe de coração que me acompanha sempre)para a unidade a que eu tinha a consulta, mais uma filinha para entregar a folha que me tinham dado na secretaria e depois o habitual tempo de espera até que a suposta médica se decidisse a chamar-me, e foi durante esse tempo que o mundo se revelou perante mim. Conversa para cima e para baixo e acabei por conhecer umas pessoas muito interessantes:

-Senhora C, com os seus 50 anos. Muito engraçada, tinha uma blusa com flores coloridas, cabelo curto, lábios "rouge". Dizia que eu tinha um sorriso muito bonito e conhecia um primo meu que trabalha no mesmo local que ela, tomava calmantes a 17 anos por causa de uma depressão que nem a deixava andar direito e que o médico insistia em dizer que era fígado, e que quando se tratou e lá voltou, o médico teve a lata de dizer que já suspeitava.Já tinha feito todo o tipo de exames, e segundo ela, estava tudo bem. A mãe morrera de cancro da mama a mais ou menos 6 anos e por isso ia agora também fazer mais um exame, como dizia ela, "ao peitinho" e que se Deus quisesse tudo ia estar bem...

-Senhora D, com os seus 30 e tal anos, uma pessoa tão serena que a sua história parecia mentira. Estava lá porque tinha tido um cancro da mama. Removeu um peito todo, fez quimioterapia e radioterapia no IPO e como tal foi obrigada a cortar todo o cabelo. Nessa altura comprou uma peruca de cabelo natural e usou-a, mas fazia-lhe alergia por causa do calor do verão. Ninguém do seu trabalho se deu conta da sua doença e quando o seu cabelo começou a crescer um pouco e decidiu deixar de usar a peruca, as suas colegas de trabalho andavam a dizer tipo coscuvilhice que ela era uma parva por ter com cabelo tão bonito e por o ter cortado tão rente...Esta assim como outras senhoras estavam a pensar na reconstrução mas...
A Senhora A deu-se conta depois de conversar-mos um pouco que conhecia a Senhora D pois haviam estado na mesma altura no IPO.

Senhora E- Não falou comigo, nem com ninguém, mas estava tão debilitada. Era com certeza mais nova que a minha mãe, mas o seu sofrimento ultrapassava aparentemente muito mais que o de algumas pessoas de 80. Não tinha cabelo e estava muito coberta, queixava-se do frio e preferia estar em pé que sentada...

Senhora F- Eu digo senhora, mas era mais uma menina, pois não devia ser muito mais velha que eu, reparei nela porque era extremamente bonita e bem arranjada, no entanto não tinha cabelo...

Senhora G- Senhora dos seu 60 e tal anos que se sentou nas cadeira de lá de fora e pôs-se a chorar (uma pessoa fica mesmo sem jeito, sem saber o que fazer), mas a Senhora C la lhe perguntou se precisava de alguma coisa e ela respondeu que não, que só teve que vir cá fora porque ia desmaiar...

Senhora H- Era amiga da Senhora G, esta senhora também com uma idade avançada já tinha tido também um cancro da mama e removido um peito e na altura em que havia tido o problema, uma cunhada sua havia tido o mesmo problema e havia morrido dele...quanto a Senhora G, ela apenas estava a acompanha a Senhora H e toda envolvente afectou-a.

Senhor B- Este Senhor tinha acompanhado a mulher em todo o processo de cancro e quando soube da noticia pelo médico ia desmaiando, pois o médico foi muito insensível e frontal e disse-lhes logo que era preferível remover o peito todo antes que o cancro se alastra-se. Assim o fizeram e o deram 800 contos pela operação, no entanto o Senhor disse que até dava 1600, pois foi muito bem feita e correu tudo bem. Quando este senhor contou aos familiares, estes responderam: " 800 contos para isto? ", mas apesar do choque da maldade dos familiares ele não se importou pois tinha a mulher a seu lado e sem danos. Mas este Senhor conhecia um outro, cuja filha tinha tido o mesmo problema,mas não a mesma sorte, pois ao removerem o peito cortaram os ligamentos ao braço e este ficou sem força, como que um membro morto...

Talvez estas histórias não emocionem muitas pessoas( até porque, e para começar, a minha descrição não é nada justa em relação a gravidade dos acontecimentos), mas ter ali aquelas pessoas que estavam ali com a maior das naturalidades, à minha beira a contar, em estilo de conversa ( e não estilo heroi, que é o que são) o que viveram fez-me pensar que estes problemas estão tão mais perto de nós do que nós imaginamos...eu sei que existe este problema, todos nós sabemos, mas estar ali e associar o problema aquelas pessoas (que para mais eram tão simpáticas) foi como se o cancro da mama batesse a minha porta e me disse-se: "Eu existo"...

Fui chamada para a consulta, e todo me desejaram boa sorte como se de um veredicto se tratasse. A médica era a coisa mais mal encarada que eu alguma vez vi(ou assim me pareceu devido ao que havia ouvido). Fiz uma biopsia, que até não custou nada (e a minha mãe a sofrer por mim, pois a biopsia dela foi bem dolorosa e temia por mim) e mandou-me embora, para voltar la para ver o resultado no próximo mês.

Saí e ainda estava lá todas as pessoas maravilhosas que conheci e que, sem se darem conta, mudaram um pouco de mim. Perguntaram logo como tinha corrido e eu disse que só tinha feito a biopsia. Assim como já tinham feito antes com outras pessoas, despediram-se se mim com um adeus normal e desejaram-me as melhoras (apesar de, e espero bem que sim, eu estar com a noção de que não vou ter nada)...

Para estes e todos os corajosos que nos passam ao lado no dia a dia e que já passaram por tanto, como estas pessoas, um abraço muito forte (para dar força)...e que a vida vos reserve tudo de bom (pelo menos de agora em diante) , que continuem pessoas de muito bom coração (pois pareceu-me que quem passa por estas coisas, pelo menos neste caso foi, é mais humano ou pelo menos tem os olhos mais abertos a bondade) e que a saúde não vos pregue mais partidas...

...a aproveitem a vida, pois ela passa que nem um suspiro... um grande carpediem para todos

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dúvida é....o tempo dirá


Sentada, aqui, a espera que o meu mundo desabe, dou-me conta da sua beleza...e, mais uma vez,das dúvidas da vida...
...Sempre a mesma dúvida, sempre o sofrimento da opção errada, sempre, sempre, sempre...
Ela, e também o medo de um dia conseguir responder e mudar...
...o quanto é difícil mudar...mudar de cidade, mudar de casa, mudar de amigos, mudar de alimentação, mudar de ideias, de opções, de vocação, será esta a minha vocação?!?!? Não terei eu escondido o sonho real por detrás do sonho de infância, só com o medo da mudança?!?!?
Não quero a resposta, tenho medo dela...dela e de uma série de outras coisas...
...Por agora só quero a certeza de que escolhi bem e a confiança de que vou conseguir!

...Mas será que vou?

Daqui a uma semana saberei

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Perfeição inperfeita


A vida, esta vida é tão perfeita, tão perfeita é a minha vida, tão perfeita que não dá para mais...
...mas eu quero mais, mais um sucesso, mais um ano, mais um curso, mais um emprego, mais a casa, mais o carro...está na natureza humana, mais e mais...
Deus deu o paraíso ao homem mas ainda assim, ele queria mais e mais...
...mas depois de ter mais e mais, perdeu tudo, todo o paraíso lhe foi roubado.
E se também agora for assim? E se depois de ter mais e mais o resto se for?....se o que realmente importa se for?!?!?!
Não será melhor o agora afinal, sem mais nem menos?!?!?!



I just don’t now, but this thought is killing me...and if all of this have nothing behind?!?!?!?
I just want this ends, but I will not go down at the first problem!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mas até quando....


É complicado...complicado e estranho. Mas também é sempre complicado e estranho. Como se fosse possível entende-los. Crescem em nós como uma dúvida inexistente e apoderam-se sem poder vê-los.
No outro dia, como não tinha nada para ler à noite, encostei-me ao fofo dos cobertores e enquanto o sono não tinha força suficiente para as pálpebras fecharem, fiz um inventário dos últimos meses e em menos de nada aqueles malandros fizeram dos meus olhos Braga,isto porque(como muitos de fora costumas dizer)Braga "é o penico do céu".
Tanta, mas tanta coisa mesmo aconteceu neste tempo, que simultâneamente e repentinamente me apercebi das saudades dos velhos tempo(aquele tempo em que eu só desejava que fosse este tempo), apercebi-me de tudo o que tinha alcançado(que modéstia a parte até não foi mal de todo), de tudo o que abdiquei para o atingir, de tudo o que passei para o atingir, mas também de que não tinha ninguém com que o partilhar, as pessoas rodeiam-me, roçam braço a braço comigo, falam comigo, mas as telecomunicações foram cortadas por aqueles desgraçados que só sabem aparecer quando não devem....
-Querias deixar tudo para trás e apenas ir atrás do passado?
-Não, o passado que é passado já passou, está lá atrás e não volta mais...
-Querias ter feito as coisas de maneira diferente?
-Não, nunca me senti tão bem...estou a viver o sonho, é o que eu sempre quis, desde muito pequenina, quando ainda nem sabia o que era escrever, mas já punha cadeiras em filinha e "ensinava" os meninos (que pois, está-se mesmo a ver, eram imaginários), mas que precisavam sempre de um raspanete para fazerem os trabalhos de casa...
-Então porque estás assim?
-Não sei.... Só sei que aqueles malandros, aqueles desgraçados dos sentimentos aparecem sempre sem contar e fazem este efeito em mim que eu (como sempre não entendo) de melancolia, que se transforma em vários outros malandros e desgraçados que me deixam num turbilhão.
Talvez seja só a dúvida de estar ou não a fazer a coisa certa...Talvez seja só o medo de não conseguir...Talvez seja só o não ter ninguém aqui (ao meu lado mesmo) com quem desabafar (mesmo que não seja caso de abafo)...Talvez até nem seja nada disso e os malandros, desgraçados dos sentimentos me estejam a pregar uma partida...Não sei, só sei que mais uma vez, e para não variar, apesar de ser de uma forma diferente, me sinto insegura, vulnerável e sozinha....


Um muito obrigada às amigas ausentes, mas mais presentes que as presentes por todo o apoio e amor ....Adoro-vos Muito

sábado, 11 de setembro de 2010

Novos tempos




Novos tempos
Novas expectativas
Novas esperanças...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Criança adulta


É estranho
é tão estranho que chega a ser parvoíce
mas é forte e inevitável
é tudo para quem não conhece nada

É poder, força e vontade num só
Uma erupção de viver sem fim
Chega a ser brincadeira
Uma brincadeira para quem morreu ontem...

Morreu ontem e ressuscitou brincando, vivendo, explodindo!
Mas é bom, é bom demais!
É viciante, é droga que se apodera sem matar

Sem matar porque é brincadeira
Como se o mundo já não fosse mais o mesmo!
Como que criança a descobri-lo

Criança a descobrir seus pézinhos e a ver-se ao espelho pela primeira vez,
mas com o fascínio do mundo nos olhos

Mas o mundo parou
porque a droga acabou
e consome com nostalgia

É como bebé sem brinquedo, sem chorar, sem viver,
sem compreender nem ser compreendido
à espera do bom que nunca chega...

do bom que por tardar corroí...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Uma lágrima


Caiu uma lágrima do meu rosto
Apenas uma
Mas não uma lágrima qualquer
Uma lágrima do mais fundo possivel
Uma lágrima das entranhas que se alastrou pelo rosto até um lago de nada se formar em mim...
E foi só uma
Apenas uma lágrima que secou em mim e deixou marca...
Se fosse um lago...morria
Como é só uma lágrima...escureço em silêncio

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Doença da Alma



Sinto uma náusea
Sinto a náusea
Sinto falta do vómito
Da avalanche de espectros que limpe toda esta imundice de vida
Esta imundice que é a vida

Sinto a podridão do corpo
O corromper da alma,que nunca existiu
Mas que insistem em acreditar

Mas eu não
Não acredito
Nunca acreditei
Nunca acreditei nesta mentira que é esta imitação de vida
Esta mentira, que é a minha vida

Sinto falta do vómito
Tou com náusea da vida
Náusea mentirosa
Vida mentirosa
Espectro mentiroso, que me arrancaste a alma neste momento e amanha ma devolves...

...E continua a ser tudo mentira
E continua a ser tudo náusea e vómito

Estou cansada...
Cansada da vida e da náusea
Vou dormir...
sem vómito, sem náusea, sem espectro...
Mas que bela morte

Mas não, não, não consigo
Não me deixam
querem que eu vomite
Querem que eu vomite à força
Querem que eu vomite a vida...
...Este rasgo de náusea não passa

Mais valia o espectro
Mais valia a certeza
Mais valia a morte

Não acreditem em mim...
...Nunca mais acreditem em mim

Quero dormir...
Deixem-me dormir...
Enquanto dormir não me lembro de como é este tormento

Não me sinto bem...
...Nada está bem

Tenho de aprender a não sentir...
...Depois, talvez, continue a viver