
Mãe, sei que já não sou a
Estrelinha que ilumina a noite escura
Só porque me atrevi a crescer, a ser
O sol que por ser grande de mais bate
Nos teus olhos e te obriga a por uma
Barreira entre nós, escondendo assim
O brilho que existe na nossa relação
Escurecendo os tempos de emoção
Passado ao pé dos baloiços que tu empurravas
Ao sabor do vento.
Essa escuridão é tão tenebrosa
Que faz-me pensar que dentro de
Ti já não sou estrelinha, já não sou
Sol que tapas, já não sou nada.
Mas, apesar de toda a escuridão que
Nos invade não passam de meras
Nuvens que não querem que o sol
Permaneça dentro de nós, e que
Acaba sempre por se elevar
Para outro sitio, deixando de novo
O sol do amor que sentimos reinar
Os céus da nossa vida.
Não sei como é ser mãe, mas
Sei como é ser filha, algo que
Tu esqueceste há muito por estares
Preocupada em ser boa mãe, e foi
Essa nuvem de preocupação que veio
Encobrir o céu azul.
Mas, mãe apesar das nuvens
Enegrecidas que encobrem a tua
Luz, para mim foste sempre
A flor mais bela do meu jardim
Quero que saibas que nada esqueci
Quero que saibas que tudo permanece
E que sinceramente me orgulho de lembrar.
O teu coração cresceu sempre, mas não
Podes esquecer que o meu também.
Adeus mãe vou voar para ser o luar
Da tua noite.