terça-feira, 11 de agosto de 2009

Doce Dor


Doce é o sentimento que nutro por ti. Sempre que te vejo sinto o abraço,o beijo, o carinho que sempre custa dares-me. Sinto no mais fundo do meu ser o cobertor que me protegia, alimentava e me envolvia, quente e aconchegante dentro de ti. Arrasto comigo toda uma gratidão e mais que amor que me demove. Queria poder deitar fora todo este peso de te agradecer, mas esse peso é a única coisa que me liga á vida. Feres-me retirando cada pedacinho da vida que me deste, lenta e dolorosamente e o facto de isso também te matar deprime todo o meu ser. Odeio quando não te sinto por perto e sinto o mesmo medo que não me lembro de sentir, mas que sei que senti, quando me arrancaram cruelmente do teu paraíso aconchegante e me largaram neste mundo tempestuoso. Sinto que te perco, que te vejo morrer, cada vez que me afastas mais como se me arrancasses de dentro de ti outra e outra vez. Quero parar este sentimento de tortura, mas não quero que ele acabe porque com ele tu irás e quando tu fores já nada viverá. Sinto nas minhas veias o sangue que te pertence e que sempre te pertencerá, por isso se te perder ele parará de correr e contigo eu irei. Por isso toda esta dor que percorre as minhas entranhas como se me afastasses de ti, reconforta-me, pois enquanto eu sofrer por ti estarás mais perto de mim. Quando tudo for apenas boas recordações e culpa de não ter dito tudo o que desejava, aí será tarde de mais, e tu terás mais longe de mim que nunca. Pressinto que jamais este sentimento mudara, pressinto que jamais tudo será perfeito. A perfeição não foi concebida para mim, pois o único e derradeiro paraíso por que passei, foi-me varrido da mente como se de um castigo se tratasse. É cruel, é sim, pois corrói como se a dor se espalha-se pelo corpo tal como um veneno que lentamente substitui o sangue que nos faz viver. Mas é uma dor necessária, pois enquanto ela existir também a tua doce presença existirá, e quanta mais dor eu sentir por me afastares de ti, mais certeza eu tenho de que existes e de que estás ao pé de mim. Por isso não me importo de que haja dor, porque mais vale dor que boas recordações e culpa de não ter dito tudo o que desejava. Esta dor mata-me, mas faz-me viver por sem uma doce dor. Dor que sinto por me afastares de ti, mas doce por me dizer que existes e que estás aqui ao pé de mim.