domingo, 3 de junho de 2012

Eu animal


Esta noite densa e perigosa atrai-me,
faz-me querer entregar-me aos assassinos da escuridão
para me revelarem os tormentos entre névoas que passam

O meu corpo fugiu-me, já não me pertence.
A escuridão engoliu-o e fez com que vampiros e lobisomens se apoderassem dele.

Apenas o lado animal me pertence.
O frio da noite que me gela os ossos até ao tutano é um golpe que me liberta.

As árvores que movem seus tentáculos venenosos para negociarem as almas penadas com as víboras
temem-me e deixam-se dominar pelas caricias do vento

Eu poderia, agora mesmo, magoar alguém,
ensanguentar aqueles que não merecem o meu amor...
Neste momento nem me conheço,
poderia até ter medo do sangue que me ferve nas veias...

Apenas a escrita me liga ao mundo humano
e à sanidade de me comportar como louca que não pertence a si mesma...

Loucura de ser coisa nenhuma
Loucura de se transformar numa montanha-russa de gentes
Loucura de ser quem nunca será
e viver para escrever

Hoje aconselho-te a não me tocares,
a não me olhares,
a nem sequer pensares em mim...

Hoje o meu olhar mata,
o meu pensamento destrói,
o meu toque queima
e meu corpo se contorce em torno de uma verdade inexistente

Hoje trago-te marcas de sangue e de agonia que provoco,
que te fazem ter medo de mim...



O quão a mente e o lápis fazem
pela morte do aborrecimento...

Fica na folha a magia
e comigo o real, que nunca me abandonará...

...assim será?!?!?!